Publicado por em jun 12, 2013

O resultado de anos de equívocos cometidos nos processos de gestão e planejamento do Rio de Janeiro podem ser observados por todos que andam pela cidade. Não deixando de reconhecer que a administração competente de um lugar requer muito trabalho e nem sempre as decisões mais coerentes satisfazem a maioria, em determinadas áreas, torna-se evidente que a solução adotada não é a mais adequada.

No planejamento urbano de uma cidade, por exemplo, são considerados diversos fatores, entre eles, o seu sistema de sinalização. Ele é o responsável pela satisfação das necessidades de mobilidade do principal elemento que compõe a cidade, o cidadão. Afinal, as cidades são feitas para as pessoas viverem.

Nos anos 90, o Rio de Janeiro teve um projeto de grandes proporções que promoveu diversas intervenções urbanas na cidade, o Projeto Rio-Cidade. Quem presenciou este período, provavelmente lembrará dos transtornos causados pelas obras no trânsito e na rotina das pessoas. Deixando os incômodos naturais de lado, pode-se considerar que o legado deixado para a cidade é positivo mas gerou muita polêmica. Sem considerar os monumentos de gosto e função duvidosos, a falta de integração entre as diversas soluções implantadas na cidade ficou evidente. Partindo-se do princípio de que um município é uma região organizada e possui personalidade própria, os elementos que são planejados para compor o seu projeto urbanístico devem, obrigatoriamente, ser integrados. Desta forma, o valor de unidade e coerência que se espera ter das informações institucionais de uma cidade será transmitido, fortalecendo a sua identidade.

Falando especificamente de sistema de sinalização, o critério adotado pelo Projeto Rio-Cidade, que determinou diferenças conceituais entre os projetos de determinados bairros, gerou um conflito generalizado de padrões. As placas de rua, por exemplo, que são elementos básicos de uma sinalização urbana, em um momento eram em uma determinada cor e forma, e instaladas a uma certa altura e distância das esquinas e, em outro momento, tudo era alterado. Ora, se todo projeto de sinalização parte do princípio de que seus elementos devem ter, além de boa legibilidade, facilidade de identificação e unidade (determinada, também, pelo comportamento padronizado de seus elementos), o que se esperar de um projeto que abre mão de todos estes critérios ao mesmo tempo? O pressuposto de se considerar os bairros como unidades individuais da cidade e, com isso, justificar soluções de sinalização urbana individualizadas não procede pois, em uma situação de trânsito de pessoas entre bairros muito próximos, por exemplo, haveria a possibilidade de convivência com diversos padrões e, consequentemente, a transmissão da informação seria prejudicada.

Hoje, após mais de uma década de conclusão do Projeto Rio-Cidade, observa-se uma descaracterização generalizada do sistema de sinalização da cidade. Padrões os mais variados possíveis se acumulam formando uma colcha de retalhos a ponto de não se saber qual é o correto. É inegável que o critério adotado nos sistemas recentes de sinalização da cidade é equivocado.

Às vésperas de sediar grandes eventos, o Rio de Janeiro vive a expectativa de uma enxurrada de turistas e a consequente necessidade de toda essa gente conseguir transitar pela cidade sem que esta experiência se transforme em um martírio. Os exemplos do que não deve ser feito já estão aí. Será que iremos repetí-los?